Surpresa!

A estranheza e o imprevisto são o resultado do primeiro contacto com o meu trabalho. As obras mostram uma realidade inesperada, reflexo de inseguranças sobre a percepção do espaço, do tempo, do significado e da insignificância, das sensações e dos afectos, da identidade e da autoria e sobretudo, da arte e dos seus limites.

1 – A obra é desenvolvida por projectos, compostos por vários trabalhos, subordinados a uma ideia ou tema, que serve de título geral e reflecte os conceitos de base da série: “o tempo tem memórias”; “as dobras do tempo”; “intimate”; “instante”; “unlinked worlds”; “pain”; ou o actual “so far”.
2 – O trabalho é pensado sem óbvias preocupações comunicacionais. É uma simples experimentação e questiona expectativas e ideias estabelecidas relativamente aos temas abordados, na maioria com ilusão da própria observação.
3 – Sem remeter para a arquitectura, espaço e tempo são transversais a toda a obra, no seu conceito ou na sua subversão, com recurso a símbolos e metáforas. São abordagens próprias das obras, intrínsecas, significantes. A obra não representa: é!
4 – A poética plástica assenta em signos velados e sentidos abertos, sem os limites das técnicas aceites como sendo próprias do mundo da arte. É a expressão pela expressão, com liberdades alargadas à cinemática, estereoscopia, óptica, mecânica, electrónica e magnetismo ou a outro tipo de tensões menos evidentes, sujeitas a ideias e sentimentos, mas sem preocupações formais ou de mostra.
5 – A obra é multidisciplinar. Há trabalhos em desenho sobre papel, mixed media, acrílico sobre tela, fotografia, vídeo, escultura, instalação, site-specific, performance/happening, com cruzamentos gramaticais e lexicais entre os diversos meios de expressão.
6 – As questões relativas a identidade, autor, autoria e copyright são postas em causa por algumas das obras, postadas online para download e cópia, ou a assunção duma persona, vandanuno, durante vários anos, com a supressão, neste período, da identidade Nuno Cunha.

As diversas disciplinas que exploro são assumidamente influenciadas pelo pensamento de diversos autores como Deleuze, Leibnitz, Heidegger ou Foucault e merece especial referência uma forte, mas subtil, presença do romantismo. Ler “The Raven” de Poe é um bom contributo para o observador.

Mais informação e crítica:

Vítor Hugo Leal
Researcher in Contemporary Art History
Investigador Associado em História da Arte Contemporânea do Instituto de História de Arte
Um avariador de máquinas-desejantes
The damager of desiring-machines – For art sake
Arte e Criticismo para além da Coisa
Art and Criticism Beyond the Thing
Tensão e desejo: o desenho reinventado

Miguel Fernández Campón
Curator (Sur Noir, Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia, FORO SUR); Máster Filosofía, Especialidad Pensamiento Contemporáneo; Doctor en Historia del Arte; Master Museología y Museos
En Open Studio

Manuel Rodrigues
Regente de Estética, com o curso anual Imagem e Semelhança, no Ar.Co (Centro de Arte e Comunicação Visual)
Nunca um lugar abandonado

Rui Miguel Cepeda
BA Arts Management; MA Cultural Studies
Sem título

Diva Morazzo
Mestre em História da Arte
Matriz